1 de junho de 2014

Futebol é o ópio do povo?

Eu não sou um fã do futebol, nunca me importei muito com ele e já expliquei isso em "Até onde o futebol me importa". Esse desapego origina-se no ao fato de que eu associava o futebol a tão falada política do "Pão e Circo" e também ao fato de querer ver outros esportes terem maior atenção.

Com a proximidade da copa há uma vertente (em pequena escala, mas que faz se parecer gigante) de atacar o futebol, de desprezá-lo, grita-se o fato de um professor receber uma salário menor que o do Neymar, diz-se que o futebol aliena e o coloca como culpado por todos os nossos problemas e junto com ele a Copa.

Esse extremismo contra o futebol me incomodou tanto quanto o extremismo a favor, pois o futebol é uma característica cultural do brasileiro e é o seu maior entretenimento e condenar o futebol, exigir o seu banimento, é uma forma de querer anular ainda mais as culturas populares, retirar outro teco da nossa identidade, características já tão escassas no Brasil, exacerbando nosso "Complexo de Vira-lata", definido por Nelson Rodrigues na frase abaixo.
"o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima"
Se colocado da forma correta - como uma forma de entretenimento e não como a única forma, nem como a única coisa que importa - o futebol tem excelentes paralelos com nosso dia-a-dia e nossa política.

Uma excelente observação a ser feita é o quanto um bom líder, um bom gestor, pode nos levar ao sucesso: a seleção brasileira vinha apresentando resultados pífios sob a liderança do técnico Mano Menezes, até que ele foi substituído no final de 2013 pelo Luis Felipe Scolari (o Felipão). Em 6 meses Felipão conseguiu mudar completamente o desempenho da seleção, conquistando a Copa das Confederações. Esse exemplo se repete nos clubes, nas presidências dos clubes e para além deles, na gestão privada e pública.

Outro ponto a ser levantado é que estudos comprovam que o resultado da seleção na Copa do Mundo não afeta o cenário político:

  • 1970, Seleção ganhou: Governo Militar foi retirado; 
  • 1998, Seleção perdeu na França: FHC reeleito; 
  • 2002, Seleção ganhou no Japão/Coreia: FHC não foi reeleito e o Lula venceu;
  • 2006, Seleção é derrotada na na Alemanha: Lula reeleito;
  • 2010, Seleção perde outra vez na África do Sul: Dilma (do mesmo partido do Lula) é eleita.

Em 2014 a Copa traz o novo fato de ocorrer no Brasil, então apesar de a seleção não estar relacionada ao cenário político, não sei traçar um paralelo quanto a organização do evento e ações relacionadas a ele, que são indicadores diretos da capacidade dos governos atuais.

O que falta é envolvimento para que as coisas sejam feitas da forma correta, eu já disse que "Manifestar-se é um início, mas não é o agente de mudanças". Pois só nos momentos finais que as manifestações foram feitas e parece que apenas uma parte está contra a Copa no Brasil e portanto ela será uma realidade. Sempre disse que já recebi convite para inúmeras manifestações, mas só agora recebi um convite de um amigo para um grupo de idéias, o que me leva a entender que essas pessoas querem aparecer e não se importam muito em melhorar nossa sociedade.

Para encerrar, não considero o futebol o vilão de todos os nossos problemas, pelo contrário acredito que ele pode nos dar paralelos muito interessantes e nossos problemas são sim resultado direto de nossas ações, como no paralelo que fiz com as manifestações em Kiev; Eu acredito que temos outras prioridades além da Copa, mas não devemos ser tão singular a ponto de focarmos apenas em um tema, principalmente se não o fizemos no passado.

O Neymar é um garoto propaganda, que vende produtos através do futebol, para milhões de pessoas, nos momentos que ele aparece algo pouco além de 90 minutos, acho um absurdo o salários dos jogadores, mas é comércio. Um professor é uma categoria que envolve muitos profissionais (talvez milhões) que trabalham  com educação para um número centenas de pessoas. A comparação do salário, apesar de muito bem vinda, não é "honesta".

Realmente, culpa de o Neymar ser mais importante que um professor, não é dos governos, é nossa!  


por: Conrado Tramontini

24 de maio de 2014

Captar a água da chuva e distribuir na cidade é uma ajuda viável?

O texto a seguir pode parecer ingênuo, e até infantil, mas eu penso que pode vir a inspirar algo útil também.

Há décadas que  enfrentamos sérios problemas com a água, chove em excesso e falta água potável, o que é um contrassenso absurdo, mas o grande problema é que a chuva não cai mais onde estão os reservatórios.

Por algum tempo eu fiquei pensando nesse problema e me veio uma "possível" (entre aspas, pois pode ser ineficiente) forma de reduzir um pouco esse impacto. Na rua onde eu cresci havia um estação da Sabesp, com aquela conhecida caixa d´agua em forma de funil.


Eu, em meus tempos de garoto, sempre via isso realmente como um funil que captava água da chuva. E agora pensei que realmente poderiamos espelhar grandes funis pelos bairros de São Paulo, de forma a captar uma grande quantidade de água da chuva, para que sejam reservadas e tratadas, não escorrendo pelas vias públicas e podendo ser reutilizada em períodos de escassez, mesmo que não sejam enormes reservatórios, seriam fontes alternativas espalhadas pela cidade.

Ficando acima do nível do solo, garantiria a captação apenas da água da chuva, que ainda não tivesse contato com o solo e com o lado interno em escada, permitiria a limpeza frequente.

Para verificar a viabilidade, busquei algumas contas simples que me dessem uma idéia sobre quanta água seria possível captar assim, e foi aí que veio uma decepção.

Pelo Google Maps, verifiquei que um reservatório desses tem algo próximo a 20m2 e com uma méida de chuva em 100mm por dia, conseguiria captar algo perto de 2.000L de água, o que me parece pouco.


Mais tarde entendi que não precisava do Funil, poderia usar a superfície do reservatório como captador, com uma área de aproximadamente 100m2 (muito menor que um campo de futebol) captaria, em uma chuva de 100mm em um dia, um volume de 10.000L, o que já me parece mais interessante.



Um campo com uma área de 4.000m2 captaria 400.000L de água, em um dia de 100mm de chuva, que deixaria de escorrer pelas vias e poderia ser utilizada futuramente. Considerando o período do verão, que chove diariamente, acredito que podemos afirmar que em um mês teriamos 1.200.000L captados.

Essa não seria nem de longe a solução definitiva, mas reservatórios como esses, colocados em lugares estratégicos da cidade, diminuiriam o volume das enchentes e permitiria o uso dessa água em algum momento quando fosse necessário.

Um sistema em escala menor poderia ser utilizado em prédios e casas.

De novo, é uma solução simples, ingênua e até mesmo infantil, mas que pode levar a outras opções.






por: Conrado Tramontini

2 de maio de 2014

Eu disse #somostodosmacacos, mas seria possível dizer #somostodosgays?

Depois da atitude do jogador Daniel Alves, de descascar e comer uma banana que arremesasram a ele em um jogo na Espanha, depois de mais uma de uma série de atitudes racistas, muitas pessoas seguiram em uma manifestação coletiva através da hashtag #somostodosmacacos, como forma de dizer que somos todos iguais.

Após isso surgiram alguns compartilhamentos de um post da Gretchen questionando por que as pessoas não usaram #somostodosviados para combater o preconceito contra os homossexuais.

Enquanto eu não teria nenhum problema em compartilhar algo assim, gostaria de mostrar como, apesar de parecido, a situação não é a mesma.

São frequentes os casos de ofensa racial, onde o agressor associa o alvo de sua agressão aos macacos, tentando alterar a sua espécie de Homo Sapiens, que é comum a todos os humanos.

Porém, se olharmos a classificação científica (que independe se você considera o evolucionismo ou o criacionismo), os Humanos pertencem a Tribo Homini, a mesma dos chimpanzés, e mais acima, estamos na ordem dos Primatas, onde estão classificados os macacos, símios além dos lêmures e, claro, os humanos.

Outra leitura é de que, sendo todos os indivíduos humanos da mesma espécie, ao afirmar que um humano é uma espécie de macacos, logo, todos são macacos.

Além da classificação científica, eu particularmente, acredito que nós e os demais primatas, símios e macacos, viemos de um ancestral macaco comum a todos e por isso podemos dizer que sim somos todos macacos.

Quanto a alegada afirmação da Gretchen, fala sobre uma forma de racismo orientada a sexualidade, ela está falando sobre algo que não é uma qualidade pertencente a todos os humanos, mas que não é comum a todos os humanos: a sua sexualidade.

Fisicamente, temos homens (que produzem o gameta menor) e mulheres (que produzem o gameta maior) mas quanto a orientação sexual (que é onde se enquadra a crítica), temos outros gêneros como hetero, homo, bi, pan e transexual, todos distintos.

Por isso a afirmação de que #somostodosgays não se enquadra na mesma situação. Mas o respeito, o tratamento, o combate e a punição devem ser o mesmo a todos os casos!

Macaco

ADENDO 1 - Religião

Fiz questão de ressaltar que a afirmação de que somos todos macacos, independe de você ser um evolucionista ou um criacionista, pois a classificação cientifica independe disso, pois estou ciente do argumento de que muitos refutam a ideia evolucionista pois a Bíblia diz que Deus fez o homem a sua imagem e semelhança.
Quando você diz que foi a Igreja, você simplesmente diz "eu fui a Igreja", ao invés de dizer "eu tirei o carro da garagem, segui pela rua X, virei na rua Y, contornei a praça A e cheguei a Igreja Z, certo?
Para mim, é o mesmo caso com a criação, a Bíblia não diz como foi o processo de criação, apenas disse que foi feita a criação.

ADENDO 2 - Publicidade

A notícia de que uma empresa de publicidade organizou a manifestação e de que alguém estava vendendo camisetas com a hashtag #somostodosmacacos, fez muitas pessoas refutarem o uso da mesma, porém a campanha "Vem para rua" foi criado para vender carros e acabou sendo usada para convidar as pessoas para manifestações onde muitas concessionárias foram depredadas.
Além disso, campanhas como a "Campanha do Agasalho" ou a "Doe Sangue" também foram idealizadas por publicitários e isso não faz delas campanhas negativas.
O importante é a mensagem que se quer passar. Ninguém é obrigado a pagar ou comprar nada.

p.s. o tal perfil da Gretchen é fake, usado para alguém que quer fazer a sua publicidade, arrecadando dinheiro com os seus compartilhamentos de qualquer besteira que ele publica.

por: Conrado Tramontini

21 de abril de 2014

Você crê no absurdo?

Eu não havia planejado escrever nada relacionado a religião, mas ao rever uma foto que fiz, de  um casal de amigos, que a muito tempo se dedicam de alguma forma a sua fé, o que inclusive levou os dois a se encontrar me senti compelido a falar sobre a sensação que tive no momento daquela foto, e em outros momentos.

A foto foi feita na capela de São Benedito e Sant´Anna, em Maresias; estávamos de férias na cidade e os dois estavam buscando uma capela para o Domingo e quando a encontramos, entraram para uma breve oração.

Aquela cena reforçou uma reflexão que tenho frequentemente, de que pessoas muito bem cientes e orientadas que são dedicadas a sua fé por uma razão pessoal, uma escolha consciente.
Dentre os vários momentos em que tive essa percepção, está o momento em que conversei com o pároco da igreja onde casei e as imagens do conclave para a escolha do papa, onde observei pessoas em diferentes situações dentro da igreja católica e que dedicam muito do seu tempo, de sua vida, a sua fé.

O escritor de "A vida de Pi" narra algo semelhante no livro, que inclusive o transcreve melhor do que eu conseguirei fazer aqui.

Hoje é fácil encontrar argumentos de que a fé, as crenças, deus ou deuses são apenas invenções humanas para que pessoas tenham poder sobre os outros, de que aquele que crê é um tolo, e de que o fato de a ciência é uma antítese a fé.

Mas quem coloca esses argumentos normalmente o faz de forma pública, como uma afirmação a si mesmo e a um público de sua sabedoria, mas de forma vazia, imposta e até infantil.

O contrário também é verdade, existem muitas pessoas professando sua fé aos quatro ventos, a impondo sobre os demais que, segundo a pessoa, estão fadados a danação eterna por não se comportar exatamente como ela.

Normalmente essas duas atitudes são as que ganham destaque pela sua voracidade, mas me parecem - ambas - alheias a realidade. Jack London escreveu em "Lobo do Mar" sobre a vida inspirar idéias santas em alguns homens, que faz com que outros vejam Deus, ou o inventem quando não podem vê-lo.
Isso tem acontecido com muita frequência para as pessoas que são muito pressionadas a encontrar um deus.

Eu fui criado com base no catolicismo, mas nada nunca me foi imposto, meu pai se diz uma pessoa cética e conhece muito sobre ciência e tecnologia enquanto minha mãe expõe sua fé com mais frequência, mas nenhum dos dois nunca nos impôs nada e nos deixou livres em nossa busca.

Para mim, a ciência e religião não são universos que se anulam, mas que coexistem de forma paralela. Cada um tem suas propriedades e características, quase que complementares. A ciência não vai explicar o espiritual, pois se houvesse explicação, seria ciência. Uma frase "Creio porque é absurdo", atribuída a Tertuliano, explica muito bem isso.

Eu ainda não sei definir no que creio e como creio, mas saber de coisas que a Lua - que foi gerada quando nosso planeta estava se formando, por uma colisão de um asteroide com a Terra, empurrado em um momento muito particular do nosso sistema Solar - é muito importante para manter a Terra girando de forma precisa e regular as marés, permitindo que assim exista vida, o Sol nascer dia após dia para nos aquecer, me parecem um milagre muito maior do que a maioria das pessoas esperam ver, para crer, e me trazem a sensação de uma orquestração muito maior do que o acaso possa fazer, e enxergar isso como uma constatação pessoal, me parece muito mais real e espiritual do que muitas pessoas tentam impor ou anular.

Eu ainda não sei no que creio, mas acredito nas ações tão pessoais e privadas como as de um casal de amigos, fazendo uma breve oração em uma igrejinha centenária a beira da praia em um passeio de domingo.

por: Conrado Tramontini

22 de fevereiro de 2014

Kiev parece brilhar aos olhos de alguns, mas esse é o mundo que criamos?

Meu pai diz que não devemos jogar pérolas aos porcos, concordo, mas acho que não se aplica nesse caso.
Eu vejo as pessoas vociferarem "Não vai ter copa!", e penso: Quem as autorizou a decidir pela maioria? Concordo que não deveria ter Copa, mas isso teria que ter sido feito lá atrás. Hoje é só oportunismo político que foi encrustado na cabeça da população - por ter uma raíz muito forte, correta e uma vontade real da população, mas tardia.

Devemos cobrar tudo isso! Devemos inclusive impedir que mais faraonismo seja feito, mas quebrar tudo, por fogo em tudo é também um faraonismo orquestrado para a mídia internacional - criticam tanto a mídia, mas se exibem para a internacional. Seria inanição ver coisas ocorrerem e pensar que se resolverão por si só, e se não se resolverem?


Eu penso que, se eu tenho uma opinião, eu preciso manifestá-la, principalmente quando vejo coisas com as quais eu decididamente não concordo.

Eu vi algumas (excelentes) fotos  sobre Kiev (http://www.bitaites.org/fotografia/batalha-de-kiev-em-10-fotos) e li os comentários - eles são mais impressionantes que as fotos - e me faço sempre a mesmas perguntas: 

A culpa é sempre dos outros né? Obama, mídia, sistema, povo burro, uma força maior…

Quem disse que a polícia não percebe que ela tbm faz parte do povo? E se ela percebe, se ela conhece, e não concorda?

Fala-se da mídia, que a mídia tende para A, para B, para C … logo, se a mídia “tende” a todos os lados, sera que ela realmente tende para algum lado?

Eu vejo essas manifestações, muitas … já recebi 200 convites de manifestações, mas nunca recebi um único convite para propor soluções.

Lavagem cerebral? Acho que vai depender do quanto vc quer ser influenciado (mas aí dirão que a maioria do povo é manipulável…) tá cheio de gente por aí com saudade de MMDC, da revolução, da bastilha, da ditadura, achando os Anonymous um deuses, achando os BlackBlocks os imperadores da Anarquia – que entende que o povo se governará, mas eles fazem o que querem sem consultar ao povo – e por aí vai.

Vivemos um momento em que, porque sentimos falta de fazer algo maior nos revolucionamos, ao invés de fazer algo maior …

Essas fotos de Kiev não me parecem mostrar um mundo melhor, mas sim um mundo pior. Entendo que a Ucrania tem sérios problemas e que talvez tenham chego ao limite, mas ainda sim, não me parece o mundo que eu quero criar …


por: Conrado Tramontini

19 de janeiro de 2014

Sobre a geração nem-nem e até os rolezinhos.

Vou pegar o gancho dos rolezinhos para falar de algo relacionado, mas não restrito a eles, abrangendo também a tal geração "nem-nem" - nem estuda, nem trabalha - e traçar um comparativo com a minha juventude. Não penso que esse pessoal que organiza os "rolezinho" estão completamente errados. Todos nós já fizemos rolezinho, mas em sua forma crua. O que vem depois que o rolezinho toma corpo é que é o problema.

Sempre fui a favor da mulecada brincar, sair na rua, se divertir - gazetear como já ouvi - mas isso tem um limite que é o respeito pelos outros.

Mas ocorre que estão estendendo e generalizando a questão. Tem gente que acha desculpas nisso - falta isso, falta aquilo. Realmente falta, mas os melhores momentos de minha juventude ocorreram nas ruas, muitos até, na frente da minha casa.

Outros acham oportunidades de explorar isso politicamente - são pretos, são probres, são da periferia, etc. Realmente são, mas a maioria dos jovens que frequentam os shoppings - como o Itaquera e o Tatuapé - também são!

Obs: Aqui ainda me espanta outro ponto: Se as pessoas pobres são discriminadas, o branco pobre é mais discriminado ainda!

Ontem eu estava no Shopping Anália Franco (um Shopping mais requintado, mas nem tanto) e me coçava para não tirar foto da mulecada que estava lá - como sempre estiveram - não tinha brancos e negros, pobres ou não, todos juntos, sem NENHUM problema.

Um desses rapazes do rolezinho disseram gastar todo o salário (não me recordo, mas era algo como R$400,00) em roupas, bonés e etc. Esse é outro ponto que me chama muito a atenção - e é um ponto que eu pego mal com o funk e outros tipos - é esse incentivo ao consumo. Fazemos isso logo ao mencionar "pobre", "uns com muito, outros com tão pouco", "distribuição de renda", estamos falando de posses, de quem tem o que e isso é realmente importante? O problema não é o cara ser pobre ou rico, acho que o grande problema é a desigualdade social, a falta de estrutura.

Esse conceito faz parecer que precisamos ter um iPhone, uma TV gigante e coisas do tipo. Não é isso, o que todo mundo tem que ter é condição social. Água encanada, esgoto tratado, qualidade de vida, transporte, acesso a serviços de saúde, roupas sim, comida sim, acesso a lazer de qualidade ... resumindo, dignidade e respeito! Um iPhone não traz isso para ninguém.

Lembro das fotos de quando o meu pai era criança e morava em um cortiço, ele sempre me falou que meu avô o levava para trabalhar desde cedo e ele sempre estudou muito e começou a trabalhar desde cedo e partindo daí criou 3 filhos. Lembro quando ele tinha um Corcel azul e o esforço que ele fazia para nos dar boa condição de vida e isso quer dizer roupas, uma casa alugada, comida e nada luxuoso.

Meu pai sabia quais eram as prioridades em 10 anos talvez pudesse trocar o carro, presentes só nas data. Nunca foi de comprar coisas para ele, muito menos novidades. Minha mãe costurava muito de suas roupas e cortava nossos cabelos.Certa vez eu pedi algo a ele e quando eu cobrei eu disse "mas você prometeu!" eis que ele me respondeu "então estou desprometendo". Vendia as licenças a que tinha direito. Mas sempre nos incentivou a trabalhar e estudar.

Foi seguindo assim que conseguiu pagar escola e depois a faculdade para todos nós. Trabalhou muito, mas nunca deixou de nos ensinar, educar e corrigir. Meus pais sempre fizeram questão de ser o mais íntegro que pode, virava horas nos ensinando. Erraram, sim, com certeza em muitos momentos e até os seus erros nos ensinavam muito, com os erros eu via o que eu queria para mim e o que eu não queria, então não é porque eles faziam algo que eu faria também, a decisão é nossa.

Certa noite, meus pais estavam brigando com minha irmã na sala da casa em que morávamos, eu e meu irmão corremos para lá, só para assistir. Nos ferramos, entramos na dança. Outra vez eu e meu irmão estávamos brigando e meu pai deu uma lição nos dois, aquilo me chateou muito, por obrigar meu pai a passar por aquilo, como no casa em que, com algo em torno de 15 anos irritou muito minha mãe, a ponto dela me dar um tapa. Claro que nem senti o taipa, mas eu, um marmanjo com 15 anos levar minha mãe a aquele ponto me fez chorar copiosamente.

Quando minha irmã engravidou aos 15 anos, a primeira coisa que fez foi arrumar um emprego para mim, então com 14 anos eu passei a, ao sair da escola, atravessar a cidade em que eu morava (30 mins de caminhada)  para um escritório onde certamente eu aprendi muito e cresci - foi um divisor de águas sem dúvidas - mas também nunca deixei de me divertir. Desde então eu sempre trabalhei, mas sempre tive tempo para brincar com meus amigos na rua, em casa, na escola, onde fosse.

Outra coisa que aconteceu foi que meu pai comprou um terreno para construir uma casa para minha irmã. Todo final de semana eu, meu irmão (12 anos) e meu pai iamos as 07h da manhã para esse terreno construir a casa que seria da minha irmã.

Nenhum de nós cresceu revoltado, muito pelo contrário, todos os dias eu penso como eu posso contribuir para um bairro melhor, uma cidade melhor, um país melhor. uma sociedade melhor e uma humanidade melhor.

Meus país nunca impuseram filosofias, religiões ou ideologias, ao invés disso, nos ensinaram a aprender e pensar, a participar e cobrar. Ensinaram o certo e o  errado. Desafios e barreiras existem e talvez para mim seja mais fácil falar, meu pai talvez possa enxergar isso diferente, pois eu cresci sobre os seus ombros, mas mesmo pensando a partir do ponto de vista dele, vejo muito desses argumentos - de que falta isso, de que a elite ou o governo aquilo - apenas como muletas.

Sou a favor de o adolescente ter direito a trabalhar e tem que estudar, acho que os governos tem a obrigação de fornecer estrutura para todos e sei que ainda falta muito - inclusive trabalho - mas isso nunca foi abundante nem para o meu pai, nem para mim. É necessário suar e buscar, usar a energia para nos desenvolvermos.

Não é o que você tem, mas o que você faz e me parece que ainda tem gente que está preso nisso. Eu estou escrevendo isso na esperança de que possa mostrar um caminho a alguém, nunca foi fácil, mas se quer mudar é assim que será.

P.s. depois de escrever esse texto, cheguei a conclusão que o que esse pessoal procura e precisa, não está nas ruas - nem nos shoppings - está em casa, não necessariamente a casa, mas onde seja um lar.

por: Conrado Tramontini

21 de dezembro de 2013

15 de dezembro de 2013

Para aproveitar melhor: Faixa de ônibus para as motos.

Via twitter, enviei uma mensagem a CET sugerindo que libere as faixas de ônibus para as motos.
Isso por alguns motivos: As motos usam os corredores entre os carros, espremendo os carros de um lado enquanto os ônibus espremem de outro; Existe um intervalo de ônibus em que as faixas ficam ociosas; tirando as motos dos "corredores" diminue-se o número de colisões carro-moto que aumentam os congestionamentos; enquanto as faxias estão vazias, são usadas por espertinhos e a CET não tem competência de fiscalizar; e por aí vai.


Riscos para as motos? Avalio que menores do que nos "corredores". Elas são mais rápidas que os ônibus então não atrapalharam os ônibus; ao ultrapassar um ônibus, mudam de faixa - muito melhor do que o "corredor", então acredito que não trariam impacto e além disso, diminuindo a ociosidade da faixa, evita-se os espertinhos.

A resposta que recebi da CET foi que "as faixas são exclusivas dos ônibus". São mesmo?
Alguém concorda? Se concordarem, sugiram o mesmo a CET.

por: Conrado Tramontini

4 de dezembro de 2013

É tudo mentira, é tudo verdade?

Existe um fenômeno - se é que se pode chamar assim - que pode ser percebido por aí, que é o ato de se desacreditar nas coisas "oficiais".
Nada mais é real. Jornais, revistas, Tevês, diz-se que tudo é comprado e manipulado. Tudo faz parte de um grande esquema mundial.
Para as pessoas que pregam isso a verdade está - pasmem - em um grupo anônimo, em uma postagem de Facebook.
Até entendo a desconfiança de que valores e ideologias pessoais podem estar fazendo a tinta ficar mais carregada, mas até hoje a maioria dos que bravateiam manipulação, nunca tiveram argumento para negar que a matéria tenha sido verdade.
Eu fico realmente irritado com esse movimento "mate o mensageiro" que encobre a verdade fingindo arruinar a mentira e caminha ao lado de culpar os subjetivos "sistema", "mídia" e até o tal do "povo burro" isso terceiriza a nossa responsabilidade.
A culpa não é dos outros, é nossa.

O esperneio do momento ainda permanece sendo o julgamento do Mensalão.

Dizem que Joaquim Barbosa fez um espetáculo. Que ele manipulo.
Ele? Ao que acompanhei, todos foram acusados, defendidos, codenados, embargados, revistos e por fim tiveram suas sentenças definidas por um colegiado, por 12 ministros, juízes do Supremo Tribunal Federal, e não apenas por Joaquim Barbosa, que se absteve do direito de impor sua vontade.

Outra coisa é que dizem que tudo foi feito pela mídia, pela burguesia.
Então todo mundo mentiu, acusação, juízes, jornal, rádio e Tevê. Todos mentiram, menos os coitados que foram julgados culpados pelo tal colegiado? Só eles dizem a verdade. Inclusive aquele que após tudo isso, recebeu uma proposta para trabalhar num hotel muito suspeito.

É como a história de dizer que a ida do homem a lua é uma fraude. Apresentaram vários "fatos" para provar isso. Houve vários argumentos derrubando esses "fatos", mas dia desses li o principal deles: A União Soviética (na época), estava em uma corrida espacial com os Estados Unidos, monitorando fortemente tudo o que ocorria e conseguia interceptar e identificar a origem de toda a comunicação.
Se a ida a lua, transmitida ao vivo, fosse uma farsa, a União Soviética seria a primeira a gritar.

Se algum meio de comunicação publicar uma matéria falsa ou mentirosa, cabe um processo dos bons. Isso é completamente cabível, e não, não configura censura.

por: Conrado Tramontini

12 de setembro de 2013

Defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo...

Eu definitivamente sou um filósofo de chuveiro. É durante o banho que tenho idéias que mais acho interessante, porém as perco porque molho o papel em que as anoto.

Foi em um momento desses que lembrei da frase de Pitágoras que diz:

 "Não é quem disse, mas o que foi dito"
Sábio Pitágoras né? Se você disse "sim" eu fico orgulhoso, porque Pitágoras nunca disse isso (eu acho) essa frase é minha e foi pensada em um desses grandes momentos de assepsia e esfoliação.

Vou repetir para garantir, anota aí que o crédito é meu!

Por quê toda essa baboseira? Porque hoje li uma matéria da Superinteressante (Eles nunca disseram isso) sobre frases célebres que nunca foram ditas e isso vai muito de encontro com o tal pensamento que tive.

Nas redes sociais da vida, vemos muitas pessoas repetindo uma frase - ou criando textos novos - só por conta do nome entre parenteses.

Quantos Veríssimos ou Jabors correm solto por aí sem realmente sê-los.

Ou seja, se Einstein alguma vez disse uma bobagem imensa, todo mundo vai abraçar só porque foi ele quem disse, já se o Zé da esquina disser algo que pode mudar o mundo, ninguém replicaria porque o autor não é famoso.

E não deve ser assim. Não aceitem "carteiradas" e pensem mais no conteúdo (da mensagem, não da carteira).

por: Conrado Tramontini

7 de setembro de 2013

Manifestar-se é um início, mas não é o agente da mudança.

Essas pessoas não vão mudar o Brasil.

O que vai mudar indo em direção ao desfile do 7 de Setembro ou em direção a polícia?

Qual o objetivo, a pauta ou a revindicação a ser feita a polícia ou ao desfile?

Essas pessoas estão buscando o conflito e isso não vai mais levar a lugar algum.

Antigamente derrubaram a bastilha e o muro de Berlim pois eram edificações que representavam o tema ao qual o povo era contrário As pessoas só estão agendando manifestações.

Já recebi muitos convites para manifestações, para parar o Brasil, mas não recebi nenhum convite para um debate, para encontrar soluções reais para os problemas.

Estamos apenas nos esperneando e não pensando e trabalhando.

Eu falo e escrevo sobre isso a muito tempo e tenho percebido que existem mais pessoas conversando sobre isso, mas a grande maioria só quer ir para a rua protestar.

Tenho colocado muitos argumentos como esses nos grupos dos protestos expondo minhas idéias e convidando a todos para pensarem nesses pontos e agirem também pelos outros meios, para não apenas revindicarem e terceirizarem as ações aos políticos, mas para agirem.

A mudança dará pela mudança de comportamento e por uma participação real do povo em corrigir os problemas.

 por: Conrado Tramontini

6 de setembro de 2013

Teoria da conspiração: Urna eletrônica manipulada.

As urnas são uma fraude, são manipuladas!

Tanto que o antigo governo federal do PSDB as manipulou para poder permitir que o PT vencesse.

O mesmo ocorreu quando o atual governo federal do PT as manipulou para que Geraldo Alckmin, do PSDB, fosse reeleito como governador de SP.

Faz todo o sentido, não faz?
Não, não faz ...

Hoje se dúvida de tudo, simplesmente por duvidar. Não existe mais verdades e não é que se tem provas contras - as vezes nem há indícios - é simplesmente a vontade de se viver num mundo distópico e conspiratório.

Generaliza-se tudo, culpa-se tudo e infelizmente, não se pensa em nada.
É um estranho comportamento de manada onde corre-se igual um louco de um barulho que não se ouviu.

Para deixar claro, eu não vejo indícios de fraude nas urnas eletrônicas. O TSE fez ações com profissionais de segurança - se você for de Hollywood pode chamar de hackers - e um deles só consegue alguma intervenção em cenários muito específicos.


por: Conrado Tramontini

1 de setembro de 2013

O mesmo lugar, muitas visões.

Mesmo lugar, muitas visões.

Penso muito sobre o fato de fazer muitas fotos do mesmo lugar, mas a cada dia que eu olho, vejo uma paisagem diferente, vejo algo novo.

É o mesmo lugar, são os mesmos prédios, o mesmo céu (outra luz, outras nuvens sim, mas o mesmo céu), o mesmo ângulo.

Então, como pode ser diferente? O que muda?

A diferença quem faz sou eu, quem muda de verdade sou eu.
A cada dia tenho uma nova ideia, uma nova visão, um novo sonho, uma nova realização, um novo sentimento.

por: Conrado Tramontini

4 de agosto de 2013

O motorista e o monstro.

A capa da Veja de hoje compôs a imagem um revolver usando imagens de carros e essa é a analogia mais exata.

O carro é como um míssil de impacto. Ele não explode, mas lança sobre você meia tonelada de material perfuro-cortante, recheada de combustível que pode transformar uma pessoa em uma massa de carne e ossos.

Tenso demais né? Mais é verdade, dependendo de quem está ao volante.

Normalmente o carro é apenas um veículo, que facilita a locomoção sua e de sua família ao mercado, a uma praça ou parque, a uma festa ou a visita aos seus avós de forma confortável e prática.

O problema é que alguns imbecis enxergam o carro como uma compensação ao pênis (psicologicamente falando). Um exosqueleto que lhe confere potêncial, velocidade, poder e - aos olhos do imbecil - o torna atraente.

É aí que está o problema. Esse rapaz com problemas psicológicos consegue facilmente uma carta de motorista, através de "n" formas e então saí pela rua se exibindo garboso e poderoso, competindo com outros condutores e pelo caminho pode encontrar público ou até um oponente e aí o veículo, que se move livremente e não em trilhos, fica completamente a mercê da imbecilidade humana e pode se projetar sobre outro veículo ou pessoas e BUM! Não sobre muito para contar história.

Facebook: 7 de janeiro de 2012 às 11:21 ·

"Bala de revólver = 5g X 500km/h = 2.500 (Momentum)
Carro = 500.000g X 120km/h = 60.000.000 (Momentum)

Por quê mesmo com a campanha do desarmamento ainda tem tanto imbecil dirigindo um carro?"
Assim como muitos problemas em nossa sociedade atual, o problema se sustenta sobre os mesmos pilares:
1) Corrupção pelam venda de carta de motorista;
2) Impunidade;
3) Má gestão dos orgãos envolvidos;
4) Você que compra carta, que dirige de forma imprudente; que bebe e depois dirige.



 por: Conrado Tramontini

27 de julho de 2013

Apreciando um bom café.

O café bom por natureza / Coffee good by nature.
Sou um grande apreciador de café, por muitos motivos, o sabor sem dúvida é um deles, mas existem outros motivos - alguns bem óbvios - e eu gostaria de examiná-los aqui.

O mais involuntário de todos é que nasci na cidade de Garça, grande produtora de café da melhor qualidade. Claro que esse "vínculo" não se manifestou de imediato no momento do parto, não havia uma mamadeira com cafezinho fresquinho passado na hora.

Se bem que, se pensarmos, pode ter sido transmitido pelo leite materno e aí vem o segundo motivo: Minha mãe é uma grande admiradora de um café com leite, sempre presente no café da manhã e no da tarde. É um hábito quase que religioso.

Nasci em Garça, mas minha família se mudou de lá quando eu tinha 1 ano e sempre viajamos para lá para visitar meus avós e tios e nessas visitas um assunto sempre era presente: O café.

Meu avô materno tinha uma oficina e uma loja de ferragens, a "Instaladora Nosso Lar", cujo clientes em sua maioria eram fazendeiros principalmente de café. Ele produzia roscas e roldanas para transporte, esteiras para a secagem e mais um monte de coisas para a produção do café - hoje eu penso que poderia ter aprendido o ofício do meu avô, que seria uma experiência muito interessante, mas o mais perto disso foi quanto ele me ensinou alguns cálculos relacionados ao raio de engrenagens.

Ainda no âmbito sentimental, era o café preto, em copo pequeno - tipo requeijão - sobre a pia da cozinha que meu avô e meus tios Paulo e Vera carregavam, e a chaleira na cozinha amarela da casa de meus avós paternos.

Só o aspecto sentimental já daria motivos suficientes, mas existem também os fatores sociais, culturais, econômicos, sociais e fisiológicos associados ao café, muitas revoluções (mudanças para melhor) foram idealizadas em torno dessa bebida quente; muitos mercados e cidades - Garça e São Paulo inclusas - cresceram em torno dele; quando o consumimos, ocorre uma revolução em nosso corpo e em nossa mente, movidas por esse estimulante natural.

O café aproxima os amigos, como as caminhadas após almoço que fazíamos no trabalho. "O café é um evento" dizia o Alex Boullosa e o Baluz e lá iamos nós para uma rodada e conversa entre amigos. Também tinha a turma do café que era organizada pelo Nelson Quina. Nós preparavamos o nosso café também dentro do escritório e, apesar da turma, do cliente e do prédio serem outros, criamos uma nova turma do café.

Muitas vezes frase do Baluz e do Boulosa se repete e me leva a convidar os amigos como o Luis Paulo, o mineiro Matheus Pinheiro, o André Medella - que ainda estamos nos devendo - ao evento que é um cafezinho; ou a dividir com a Tânia - minha esposa - os fatos referentes ao hobby que se tornou essa bebida quente.

E voltamos ao início na lembrança de meus avós sempre que vou visitar meus pais ou meus sogros. que, sabedores desse meu costume, me recebem oferecendo o acolhedor cafezinho.

por: Conrado Tramontini

Mais sobre café:

SP Coffee Week

CBN Comida - O café nosso de todo dia
Livro: A história do café.
Livro: Uncommon Grounds
Revista Superinteressante: Cafeína, meu amor
Folha: Um cafezal no meio da cidade de São Paulo
A revolução nos cafés